Sílvio Santos... Isso só de gente
famosa que estou falando. O Brasil
foi espectador de situações que mais
pareciam filmes cujo enredo era de
supense...
A violência é parte crucial, hoje, da
imprensa e seus informativos. Mas
até que ponto é válida a participação
da imprensa. Até que ponto ela deve
interferir?
O caso dos seqüestros que envolveram
Sílvio Santos e família mostrou uma
faceta das múltiplas que tal assunto
tem. Foi um verdadeiro reality show,
ao vivo. E no caso de Patrícia Abravanel,
a filha seqüestrada, cada lado defendeu
claramente seu ponto de vista. A Globo
chamou a garota de pertubada. O SBT
de vítima da violência que espanta o país.
Alguns setores da imprensa não se
pronunciaram. Fingiram que o caso
não existia, respeitando (ou obdecendo)
vontades do dono do SBT.
Parecido foi o caso do publicitário Washington
Olivetto. Muitos não escreveram uma linha,
atendendo pedidos da família. Mas também
o imenso investimento que a empresa de
Olivetto faz em propaganda em revistas,
jornais etc. A revista Época rasgou a
mordaça e estampou numa de suas capas
a foto de olivetto e tratou do tema. Foi
o bastante para que a W/Brasil, de
Washington Olivetto, tirasse todo sua
participação financeira na revista.
O prefeito de assassinado de campinas,
Carlos Daniel, foi e é pauta obrigatória
para a imprensa. Mas os caminhos que
ela tomou neste caso foram diversos.
E ainda são.
A imprensa não poupou acusações sem
provas aos envolvidos. Nem a polícia
chegava a dizer a palavra "acusado".
Não precisava. A imprensa se encarregou
disso...
Atitudes assim fazem que a violência que
a imprensa comete é tão grave quanto
a que noticia...
José Renato Ribeiro